Campanha da Fraternidade 2016: Casa comum, nossa responsabilidade

Nesta quarta feira de cinzas, 10 de fevereiro foi lançada a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016. O tema da campanha deste ano é “Casa Comum, nossa responsabilidade”, e o lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24). A campanha deste ano busca fortalecer a construção de políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro da Casa Comum, ou seja, do planeta Terra. Este ano, a campanha tem dimensão internacional, pois está sendo realizada em parceria com a Misereor, entidade vinculada à Igreja Católica da Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento da Ásia, África e América Latina. 

Políticas de saneamento

No Brasil, 7,2 milhões de habitantes não possuem banheiro em suas residências (de acordo com o Progress on Sanitation and Drinking-Water, dados de 2014), cerca de 35 milhões de pessoas não contam com água tratada em casa e quase 100 milhões estão excluídas do serviço de coleta de esgotos, como aponta publicação de 2015 do Instituto Trata Brasil. Por isso, a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 aborda prioritariamente a construção de políticas públicas na área do saneamento básico.

Ainda de acordo com o Trata Brasil, a cada 100 litros de água coletados e tratados, em média apenas 67 litros são consumidos. Contudo, 37% da água coletada no Brasil é perdida em função de vazamentos, furtos ou ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas do consumo de água, do que resulta um prejuízo de R$ 8 bilhões. A soma do volume de água perdida por ano nos sistemas de distribuição das cidades daria para encher seis sistemas Cantareira (SP). Eis o porquê da campanha tocar mais diretamente este assunto, uma vez que o mesmo diz respeito à saúde pública, à dignidade humana, à sustentabilidade do planeta e também à economia.

 

Assista o vídeo da Campanha:

 

A distância para o resto do país

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Um ponto mostra a distorção entre as 100 maiores cidades e o restante do país. Do universo pesquisado pelo Trata Brasil, em média, 62,4% da população tem coleta de esgoto, enquanto que a média nacional, somados todos os municípios, é de 48,3%. O tratamento de esgoto chega a 41,3% da população do conjunto dos 100 municípios. Já a média nacional é de 38,7%.
 
Apenas duas capitais estão entre as melhores cidades no quesito saneamento: Belo Horizonte, com 100% de coleta de esgoto, e Curitiba (98,5%). Santos e Franca, ambas em São Paulo, foram os outros municípios a alcançarem 100%.
 
Na parte de baixo da tabela, quatro capitais estão entre as dez piores cidades: Teresina (PI), com 16,3% da população com saneamento, Belém (PA), 7,2%, Macapá (AP), 6%, e Porto Velho (RO), 2,2%. A pior cidade do país nesse quesito é Ananindeua, no Pará, localizada a 19 km de Belém: o município não possui rede de esgoto.
 
Falta investimento no setor
Um dos motivos para que o saneamento não melhore no Brasil é a falta de investimento. Para solucionar o problema, é preciso investir o que foi arrecadado com os serviços. O levantamento do Trata Brasil indica que houve pouca preocupação na questão de infraestrutura de 2011 a 2012. A maior parte, 57 cidades, investiu menos do que 20% da arrecadação. Na faixa oposta, nove municípios aplicaram mais de 80% do que arrecadaram em melhorias.
 
Em resumo, o quadro mostra que ainda falta muito a ser feito para melhorar o cenário do saneamento básico no Brasil, tanto em capitais como nas cidades de regiões metropolitanas e do interior.
Tire suas dúvida em http://www.saneamentobasico.com.br

"As reflexões sobre o saneamento básico contidas no texto-base demonstram que esse é um direito humano fundamental e, como todos os outros direitos, requer a união de esforços entre sociedade civil e poder público no planejamento e na prestação de serviços e de cuidados.
Desejamos que o texto-base contribua para mobilizar e criar espaços ecumênicos de comprometimento com a Casa Comum.

Acreditamos que um mundo de justiça e direito precisa ser construído assim: coletivamente, somando as criatividades, os talentos e as experiências em benefício do bem comum. Que essa CFE fortaleça a fé e a esperança de uma Casa Comum, em que o direito brote como fonte e a justiça qual riacho que não seca!"

Dom Flávio Irala (Presidente do CONIC)

 

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