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Medo clássico

Livro: Medo clássico

Autor: Poe, Edgar Allan.

O horror! O horror! – É fácil, esperado, inevitável elogiar a qualidade estética do primeiro volume das obras de Edgar Allan Poe, lançado recentemente pela DarkSide Books na série Medo Clássico. A capa dura negra com caveira e corvos, caprichosamente ornamentados com letras douradas, as ilustrações especialmente produzidas para apresentar cada seção, o retrato do autor na contracapa, em moldura ovalada, típica de nossos cemitérios… tudo ali espelha não apenas apuro gráfico e profissionalismo, mas acima de tudo, uma necessidade de reverenciar um dos pilares da literatura de terror/suspense/crimes.

Poe é obrigatório em qualquer antologia desses gêneros, e constantemente citado como um nome importante das bases da literatura de língua inglesa. Mas Poe também é frequentemente aprisionado nos escaninhos de “autor maldito” e “escritor de nicho”. Neste sentido, a edição da DarkSide traz uma primeira contribuição para desprender Poe dessas órbitas e permiti-lo vagar pelo espaço, sem as amarras gravitacionais que insistem em apequená-lo. A tradutora Marcia Heloisa oferece uma lírica e contundente apresentação no início do livro, que não só explica a estrutura da obra, faz menções à biografia de Poe, mas também se preocupa em ampliar o papel dele na literatura para além dos sempre citados horror e gótico. A bela introdução reverencia o mestre, mas não se restringe a elogios e a convenientes clichês.

Os quinze contos de Poe são divididos em cinco partes: O Espectro da Morte, Narradores homicidas, Detetive Dupin, Mulheres Etéreas e Ímpeto Aventureiro. O panorama é abrangente e quase didático. Se o leitor não conhece o autor, tem nas mãos um útil curso introdutório. Se é um frequentador assíduo, poderá se deliciar com pérolas sangrentas como O coração Delator e O Baile da Morte Vermelha. Se é um especialista, terá matéria para discutir as razões que levaram ao resultado daquela coletânea em particular.

 CHRISTOFOLETTI, R. RESENHA | Edgar Allan Poe – Medo Clássico. Disponível em: Acesso em: 04 out. 2017

A Cabana

Livro: A Cabana

Autor: YOUNG, William P.

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A Cabana, do canadense William P. Young, foi lançado no Brasil em 2008 pela Editora Sextante, e ficou entre os mais vendidos por várias semanas.

Uma cabana caindo aos pedaços, no meio no nada, rodeada de neve, com uma luz pairando sobre ela. Apesar de a cabana ser o local de um assassinato brutal, ainda assim é linda, não sei explicar!!!

Relutei muito em começar a ler esse livro, achei que fosse de autoajuda, gênero que não gosto, mas acabei cedendo e o livro realmente me surpreendeu. Não que ele seja dos mais fáceis de ler, já que ao longo do livro me deparei com questões que me fizeram parar e refletir sobre o assunto, assim, exigiu certa concentração.

Afinal, quem nunca se perguntou o porquê de Deus permitir tantas coisas ruins acontecerem, muitas vezes com alguém tão inocente, como a filha de Mack; por que tanto sofrimento no mundo?

Depois de quatro anos vivendo o sofrimento da perda da filha, Mack tem a chance de ter respostas para essas e outras de suas dúvidas e ele mergulha fundo nesse mistério que pode mudar sua vida e finalmente fazê-lo aceitar essa terrível perda.

As dúvidas de Mack são tão comuns que torna o personagem real. Ele poderia ser um de nós, sempre nos questionando sobre as decisões de Deus em nossa vida e sobre o motivo das coisas que nos acontecem.

A Cabana realmente é o tipo de livro que você quer compartilhar com todos, apesar de não concordar que deva ser lido como uma oração.

 

GOMES, C. Resenha de A Cabana, @editoraarqueiro. Disponível em: <http://portal.julund.com.br/resenhas/resenha-de-a-cabana> Acesso em: 6 out. 2017.

O garoto do cachecol vermelho

Livo: O garoto de cacheol vermelho

Autor: Brandão, Ana Beatriz

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Melissa é uma garota de 19 anos mimada, arrogante e preconceituosa. Ela é também a melhor bailarina da sua faculdade e já chegou a fazer cursos fora do país em uma conceituada escola de dança. Embora não aparente, sua vida é vazia. Seu pai morreu quando ela era nova e a mãe viaja a trabalho e nunca está presente quando ela precisa, por isso ela aprendeu a se virar sozinha e não precisar de ninguém.

Numa noite de ano novo Melissa avista Daniel, um garoto que usa um cachecol vermelho em pleno verão mas que vai mudar sua vida completamente. Depois de uma péssima primeira impressão os dois se encontram novamente no primeiro dia de aula da faculdade. Logo Mel descobre que Daniel é filho da reitora e já julga o rapaz como bolsista pobre.

Mas, sem nenhuma razão aparente, Daniel sempre está querendo ajudar a bailarina, que não entende o porque precisaria de ajuda já que sua vida é perfeita e por isso os dois sempre acabam brigando.

Pedro, o rapaz que sai com Melissa de vez em quando e acha que é namorado dela acaba ficando agressivo e com ciumes excessivos por causa da aproximação de Daniel, e mesmo Melissa o tratando de maneira esnobe ele faz de tudo para ficar com ela.

A medida que o livro vai desenvolvendo percebemos como Melissa e Daniel se atraem, sempre estão nos mesmos lugares e ao mesmo tempo se odeiam, porque esses encontros sempre acabam em briga. Mas por essa proximidade, mesmo que involuntária, ele acaba participando de momentos delicados da vida dela e seu instinto de tentar ajudá-la vai ficando cada vez maior. Porém a arrogância de Melissa não a deixa enxergar a ajuda de Daniela como algo bom em sua vida. Demora até que ela ceda e os dois começam a passar mais tempo juntos.

Mas Daniel é muito diferente da bailarina arrogante e preconceituosa, e cada gesto de bondade e de ajuda ao próximo causa uma estranheza muito grande em Melissa, que não consegue participar dessa realidade junto com ele.

Em paralelo com a história desse improvável casal temos uma audição para Julliard, a melhor escola de artes dos Estados Unidos, talvez até do mundo, que Melissa aguarda ansiosamente por uma resposta ao vídeo que ela enviou. Seu maior sonho é conseguir essa audição, garantir uma vaga e se transferir para lá, deixando tudo no Brasil pra trás.

Além de toda essa áurea de amor e ódio temos uma grande abordagem sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica, que é vivenciada por um dos personagens e também ajuda na construção do caráter da nossa protagonista. E acima de tudo, nos abre os olhos pra uma questão importante, que é a ajuda a uma das instituições que ajuda a cuidar dos portadores de ELA. No mínimo deu pra notar que Brandão fez o trabalho de casa, soube abordar o tema com sutileza sem tornar banal. Além de não minimizar a importância de um tratamento adequado a uma doença que atinge a tantos e é tão pouco conhecida pelas pessoas.

O livro é inteiramente narrado pela Melissa, apenas um pequeno trecho nos mostra uma curta visão de Daniel, mas valeu super a pena. O personagem tem uma mente incrível que vale a pena explorar.

O livro é emoção do começo ao fim, tem um desfecho que você jamais poderia imaginar e com certeza vai te arrancar lagrimas de tristeza e gratidão, e vai te fazer se perguntar como alguém é capaz de criar uma história tão maravilhosa e perfeita. Daniel é um dos personagens mais cativantes que existem da literatura, e você vai se emocionar com ele a cada página.

É o primeiro romance de Ana Beatriz Brandão, que já mostrou através de outros livros que veio pra ficar e é a nova cara da literatura nacional. Com seu jeito único de narrar a história flui com leveza, nos arrancando suspiros e risadas em diversos momentos.

O garoto do cachecol vermelho vem disfarçado de romance água com açúcar só pra dar um tapa na nossa cara de leitor que pensa que já viu de tudo. Recheado de drama, suspense e romance, o livro é, sem dúvidas, o melhor de Ana Beatriz Brandão até agora.

 

BRANDÃO, A. B. [Resenha] - O garoto do cachecol vermelho. Disponível em: <http://www.blogleituravirtual.com/2016/08/resenha-o-garoto-do-cachecol-vermelho.html> Acesso em: 06 out. 2017

 

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