Centro de Integração do Migrante

O Centro de Integração do Migrante, a ser inaugurado no próximo dia 12 de dezembro, tem como finalidade oferecer um espaço de convivência e de formação para os migrantes que vivem no bairro do Brás e arredores. 

A proposta do Centro nasceu da necessidade dos próprios migrantes de ter um local para se reunir e do trabalho conjunto das Missionárias Servas do Espírito Santo e a Pastoral do Migrante da Paróquia São João Batista do Brás e foi evoluindo até se tornar realidade com a disponibilização de um salão na Rua Coimbra, onde a população boliviana se concentra, especialmente nos finais de semana.

Mesmo antes de ser inaugurado, o Centro de Integração do Migrante já oferece cursos de Português e, em breve, iniciará uma série de outros cursos e projetos. Uma das propostas é desenvolver atividades socioeducativas com as crianças no período em que elas não estão na escola. Isso evitará que sejam obrigadas a ficar no ambiente de trabalho dos pais ou sozinhas em casa.

 

Legenda: Fachada do Cento de Integração do Migrante na Rua Coimbra. Na foto estão irmãs Servas do Espírito Santo e Migrantes. 

Um pouco de história

A realidade desafiadora do bairro e a presença dos migrantes foi a razão pela qual as Missionárias Servas do Espírito Santo escolheram o Brás como local de missão. Em 2009 deram início à Comunidade Santo Arnaldo Janssen e, aos poucos, foram se aproximando da população migrante por intermédio de contatos pessoais e visitas aos locais de moradia e de trabalho.

O passo seguinte foi, com o apoio da Paróquia São João Batista do Brás e dos missionários scalabrinianos, dar início à Pastoral do Migrante e fazer um levantamento das principais necessidades sociais e pastorais. Para isso foram entrevistados migrantes de várias nacionalidades que residem ou trabalham na região do Brás. O levantamento identificou a falta de creches para as crianças, a necessidade de um local para se reunir, de cursos de português e atenção às mulheres e jovens.

Sensibilizadas com a falta de condições dignas de vida de grande parte das famílias migrantes, as irmãs da Comunidade Santo Arnaldo partilharam essa realidade com as outras irmãs da Província que decidiram assumir os migrantes do Brás como uma prioridade missionária.

O Colégio Espírito Santo, no bairro do Tatuapé e integrante da Rede de Educação das Missionárias Servas do Espírito Santo, alugou o espaço onde funcionará o Centro de Integração do Migrante. A REDES – Rede de Solidariedade das Missionárias Servas do Espírito Santo financiou a reforma do local e o Instituto Trinitas doou os móveis e liberou as irmãs Maria Gislaine Pereira e Ashrita Soreng para trabalhar junto com Ir. Malgarete Scapinelli Conte que já trabalha diretamente com os migrantes.

Um bairro de migrantes

Migrantes bolivianos e seus comercios ambulantes na Rua Bresser, próximo a Rua Coimbra. Irmã Malgarete com um criança boliviana.

Historicamente o bairro do Brás está relacionado com a migração. De 1887 a 1920, passaram mais de 3 milhões de pessoas, de 60 nacionalidades diferentes, pela Hospedaria dos Imigrantes que ficava no Brás, próximo a estação de trem. Muitos desses imigrantes se instalaram nas redondezas e contribuíram para a urbanização e industrialização daquela região.

Depois vieram os migrantes nordestinos que chegavam aos milhares por causa da seca e da fome, especialmente nos anos 40 e 50. Com isso, o Brás foi mudando as suas características e atualmente, além dos nordestinos, continua recebendo imigrantes e refugiados de todas as partes do mundo, com uma predominância de bolivianos que trabalham em confecções de roupas, muitas vezes em condições desumanas por falta de moradia adequada, excesso de horas de trabalho e salários injustos.

A presença dos migrantes bolivianos mudou a paisagem e as feições do bairro. As lojas e estabelecimentos comerciais têm seus nomes em castelhano. Os rostos que predominam são aymaras e quéchuas, especialmente de casais jovens, com muitas crianças. Provenientes de aldeias pobres, submetem-se a situações de exploração na esperança de ganhar dinheiro para poder voltar para seus países e ter uma vida melhor. Muitos não têm documentos regularizados e trabalham mais de 14 horas por dia em oficinas de costura.

Reunião da Pastoral do Migrante na Paróquia São João Batista no Brás.

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