Irmã Zilda Hornai: confiança em Deus e desafios em nossa cultura

A irmã Zilda Maria Cofitalan Hornai pertence à Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo. Ela é natural do Timor Leste, um país insular, localizado na Ásia, que conquistou sua independência de Portugal no ano de 1975 e, em 2002, da Indonésia, com o fim da ocupação. Sua população é composta por vários grupos étnicos e fala cerca de dezesseis línguas.

A primeira vez que irmã Zilda sentiu o chamado foi quando participava do grupo de coroinhas e assistiu ao filme sobre Santa Teresa de Calcutá. Ela ficou profundamente tocada. “Queria também me tornar uma freira para servir ao povo de Deus e, como as irmãs, ter uma vida muito simples”, narra. Um dia, ela encontrou uma missionária serva do Espírito Santo e expressou sua vontade de entrar numa congregação.

“Nunca perdi de vista esse desejo até que terminei meus estudos e entrei. Tinha 19 anos”, conta Ir. Zilda. Ela passou quatro anos em formação religiosa antes de se tornar freira. Ao falar sobre os primeiros votos, seus olhos brilham e, com muita alegria, diz: “Deus me escolheu!”. Naquele dia, os pais, os parentes e os paroquianos foram para testemunhar sua consagração religiosa, realizada na paróquia. “Foi uma festa muito especial, com comidas deliciosas e danças, que foi até o sol se pôr”, lembra Ir. Zilda.

Antes de entrar na congregação, Ir. Zilda achava que freira não precisava estudar, mas, durante seu estágio pastoral em uma escola das irmãs, percebeu que queria ser professora. Na formação, aprendeu sobre a Congregação, sua missão, carisma, internacionalidade e que as irmãs são enviadas para onde são mais necessárias. Só não imaginava que sairia do país para estudar e que viria para o Brasil, a fim de fazer faculdade e passar por uma experiência intercultural de seis anos. Para isso teria de deixar sua cultura, sua família, suas irmãs, sua comida e adaptar-se a uma nova vida.

Ir. Zilda (ao centro) com as Irmãs Rosalia Maria da Conceição (à esquerda) e Ir. Lusia Sakunab, ambas do Timor, Indonesia.

Chegando ao Brasil, sentiu muita saudade de seu país, porque tudo era diferente: a linguagem, a comida e as irmãs, muito mais idosas do que ela. Com o tempo, Ir. Zilda começou a gostar da vida no Brasil. “As irmãs são simpáticas e carinhosas, cuidando com muita atenção para que não me sentisse fora da comunidade”, conta.

O que a ajudou foi lembrar-se sempre de São José Freinademetz. Enviado como missionário para a China, ele se tornou chinês com os chineses, a ponto de afirmar que queria ser chinês até mesmo no céu. “A vida dele se tornou uma inspiração para mim, pois me ensina a me adaptar, acolher e aceitar esta nova cultura”, afirma. A vida comunitária com irmãs de faixas etárias, nacionalidade, pensamentos, sentimentos e temperamentos diferentes não é fácil, mas ela explica que é possível: “Quando nos ajoelhamos diante de Deus, em oração, Ele nos dá força e paciência para nos entender umas com as outras e aceitar, com todo o coração, sem julgar e sem preconceito”.

No dia 11 de agosto, Ir. Zilda renovou, pela quinta vez, seus votos religiosos, sendo a terceira vez aqui no Brasil. Relata que foi uma grande alegria ter uma Eucaristia presencial depois de meses de missa só pela televisão, por causa da pandemia. “Sinto-me privilegiada e grata por poder continuar o legado de nossa Congregação e de nossas irmãs. Cada vez que renovo meus votos, coloco-me à disposição como Nossa Senhora: ‘Eis-me aqui, Senhor, faça-se em mim segundo sua vontade’”, partilha.

Ir. Zilda renovou os votos de pobreza, obediência e castidade por mais um ano, enquanto se prepara para a consagração definitiva nos votos perpétuos.

Sobre seus estudos na faculdade, Ir. Zilda confessa que, no início, estava com muito medo e nervosa, pois não conhecia ninguém, mas disse a si mesma que enfrentaria seu medo, conversando com os outros alunos. Aproximou-se dos demais, e o medo foi embora. Com o passar dos dias, começou a sentir-se confiante. Agora ela tem uma relação muito boa com os colegas e também com os professores.

O Timor Leste tem dois idiomas oficiais, o português e o tétum. Embora as escolas ofereçam aulas de língua portuguesa, como esta não é a língua falada, os alunos, segundo Ir. Zilda, não levam a sério para aprendê-lo bem. Mas agora, cursando Pedagogia, ela tem de se esforçar e trabalhar muito para dominar o idioma e compreender a linguagem dos livros. Mas, com determinação, conseguiu passar em todos os semestres, sem falhar em nenhuma disciplina.

Nas horas de descanso, a irmã pratica violão e toca nas orações e recreações da comunidade. Além disso, está sempre disposta a ajudar em tudo o que precisa. Para outras irmãs que chegam ao Brasil, Ir. Zilda é uma inspiração, pois percebem que elas também podem aprender, pois, como crê, “É Deus quem conduz nossa vida quando colocamos nossa confiança nele”.

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